6 de Abril (Domingo)
19h00
Espaço Nariz Teatro / Recreio dos Artistas (Leiria)
O monólogo, baseado em relatos de historiadores do primeiro século da nossa era (Suetónio, Tácito e Dião Cássio), conta, pela voz bem-humorada de Agripina Menor (ou Agripina, a jovem) fatos históricos da época dos cinco primeiros imperadores romanos.
Agripina Menor, que foi bisneta de Otávius Augustus, inicia seu relato explicando como seu bisavô se tornou o primeiro imperador do império romano. Explica como sua família foi dizimada quase inteiramente e como ela e o seu irmão mais novo Calígula, sobreviveram e foram adotados por Tibério, o segundo imperador de Roma. Após a morte de Tibério, o irmão de Agripina foi nomeado o terceiro imperador de Roma.
Calígula além de péssimo imperador, condenou a própria irmã Agripina ao exílio após uma fracassada tentativa de assassinato contra ele mesmo. Calígula acabou sendo assassinado e Cláudio, tio de Agripina e Calígula, chegou ao poder. Agripina conta, no espetáculo teatral, como seduziu seu próprio tio Cláudio, quarto imperador de Roma, casando-se com ele para obter poder e influenciar na condução do Império. Além de conseguir fazer o seu tio adotar o filho Nero como sucessor, Agripina é responsável por assassinar o tio imperador.
Nero, ainda muito jovem, torna-se o quinto imperador do império romano, com a mãe Agripina controlando-o e pressionando-o a tal ponto que não restou ao imperador Nero nenhuma outra alternativa a não ser planejar inúmeras formas de afastar-se da mãe. O filho de Agripina, entre outros famigerados feitos vergonhosos como imperador, foi o responsável pelo assassinato da própria mãe.
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Agripina, A Menor, foi uma das mulheres mais influentes da sua época, a sua trajetória continua relevante hoje.
O espetáculo é um convite à reflexão sobre os desafios enfrentados por mulheres no poder, os jogos de influência e a forma como a sociedade encara figuras femininas ambiciosas e estrategas.
Aborda temas como ambição, poder e traição, que continuam presentes na política e na sociedade. A ascensão e a queda de Agripina evidenciam como as mulheres historicamente tiveram que navegar em estruturas patriarcais, muitas vezes recorrendo a estratégias como casamentos políticos e alianças para conquistar e manter influência. Figuras públicas frequentemente manipulam narrativas para moldar sua imagem, algo que Agripina fez com maestria.
Agripina desafiou as expectativas do seu tempo, exercendo poder num mundo dominado por homens, o que levanta reflexões sobre mulheres na política e na liderança hoje.
© Ricardo Graça
© Ricardo Graça